Arquidiocese de Westminster

O novo Arcebispo Richard Moth tomou posse da Arquidiocese de Westminster.

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Arquidiocese de Nova Iorque

O novo Arcebispo Ronald Aldon Hicks tomou posse da Arquidiocese de Nova Iorque.

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Carta de Leão XIV ao clero

O Pontífice escreve uma carta ao clero de Madrid e propõe um importante itinerário para ser sacerdote santo.

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Arquidiocese de Sassari

O Papa Leão XIV nomeou o novo Arcebispo de Sassari (Itália).

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Diocese de Roma

O Papa Leão XIV nomeou quatro novos bispos auxiliares para a Diocese de Roma.

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As novidades para a comunidade




Desarmar as palavras: a Quaresma de Leão XIV contra o veneno da web

Vivemos imersos num ruído constante. Fazemos scroll por ecrãs cheios de opiniões aos gritos, comentários venenosose juízos sumários. Neste cenário, em que o teclado se torna tantas vezes uma arma imprópria, as palavras do Santo Padre ressoam não como um simples aviso espiritual, mas como uma urgência social: «Desarmemos as palavras e contribuiremos para desarmar a Terra».

É um convite poderoso, quase revolucionário na sua simplicidade. Papa Leão XIV recorda-nos que a paz não é um conceito abstracto que se delega em tratados internacionais, mas uma prática quotidiana que começa nos nossos lábios e nas nossas mãos.

Muitas vezes pensamos a paz como a ausência de guerra entre nações. O Papa, porém, desloca a atenção para o micromundo das nossas relações pessoais. «A paz começa em cada um de nós: na forma como olhamos os outros, escutamos os outros, falamos dos outros», afirmou recentemente. É como se Leão nos dissesse que a Igreja, tanto na dimensão real como na digital, está presa num círculo vicioso do qual tem de sair o mais depressa possível, porque este sistema está a degenerar. Na homilia de Quarta-feira de Cinzas, declarou: «É verdade: o pecado é pessoal, mas ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que reciprocamente nos condicionamos, não raras vezes no interior de verdadeiras “estruturas de pecado” de ordem económica, cultural, política e até religiosa».

Estas palavras fizeram-me pensar. Estamos tão mergulhados em certas dinâmicas que não nos damos conta de quão erradas são. E como todos, mais ou menos, se comportam do mesmo modo, acabamos por normalizá-las, ao ponto de já nem as reconhecermos como pecados, nem sequer no confessionário. Falar mal dos outros, por exemplo, tornou-se um hábito, quase um modo de “fazer conversa”. Há encontros do clero em que se fala exclusivamente mal dos outros. Formam-se grupinhos, facções, em que até as críticas mais veladas são sempre dirigidas a alguém. E, se não temos algo de mau para dizer sobre alguém, corremos o risco de o inventar ou, até, de nos calarmos.

Pensa nisto: quantas vezes te aconteceu ter uma conversa positiva, talvez à frente de um café, em que partilhaste as coisas boas que te acontecem? E quantas vezes, pelo contrário, passaste todo o tempo a queixar-te? As palavras de Leão XIVconvidam-nos a pensar a comunicação como um acto de responsabilidade. Não se trata apenas de “ser educado”, mas de construir um tecido social que não se rasgue à primeira divergência de opiniões. É um apelo à concretude: antes de apontarmos o dedo aos grandes conflitos do mundo, somos chamados a olhar para a forma como gerimos os conflitos na nossa paróquia, no seminário, na comunidade, no nosso condomínio, no escritório ou no grupo de chat dos acólitos.

Um jejum das palavras que ferem

Particularmente eficaz foi a Mensagem para a Quaresma, na qual propôs um jejum diferente do habitual. Muitos se perguntaram por que motivo o Silere non possum escolhe dar destaque a algumas homilias pronunciadas por certos bispos mais do que a outras. Neste primeiro número da Newsletter revelamos um “segredo”: publicamos a homilia que oferece, tanto ao fiel como ao clérigo, um elemento realmente praticável na vida concreta e capaz de gerar uma mudança.

Nunca suportei um certo modo de pregar: análises correctas do ponto de vista exegético, doutrinal, moral, cultural, etc… e depois, na prática, o que fica? Quando o fiel volta para casa, leva consigo uma lição de teologia ou um convite concreto? Aquelas palavras ofereceram um estímulo para chegar ao encontro com o Senhor podendo dizer: “Hoje vou tentar melhorar nisto”.

Este é o critério. E com Papa Leão XIV podemos reconhecer o mesmo estilo também nas suas palavras. Na Mensagem para a Quaresma, chamou-nos a todos a um jejum que envolve sobretudo a abstinência do pecado. Convidou a jejuar de «palavras que golpeiam e ferem», pedindo-nos que evitemos conversas vãs, mexericos, fofoca e falar mal de quem está ausente e não pode defender-se. Numa época em que o “digo o que penso” é muitas vezes usado como desculpa para a crueldade, o convite a medir as palavras torna-se um acto de resistência humana. Significa escolher o silêncio em vez do insulto, a reflexão em vez da reacção instintiva.

Vozes concordantes: uma urgência partilhada

Jean-Christophe Seznec, em La magica virtù di misurare le parole, observa que vivemos “cheios de palavras, no limite da overdose”. Por isso, no seu livro propõe um léxico mais rigoroso e um critério simples: “reencontrar a pertinência daquilo que escolhemos expressar, tendo em conta o contexto”. Antes de falar, pôr a consciência a trabalhar: “O que quero dizer? A quem?”, e “rodar a língua sete vezes na boca antes de falar”. Quando a emotividade sobe, um gesto concreto: escrever, deixar em standby e enviar só depois, com a cabeça fria. E, se chega a ofensa, não a aceitar: “Quando não são aceites, continuam a pertencer a quem as tem no seu coração”. Assim, o jejum das palavras torna-se disciplina, liberdade e responsabilidade: menos ruído, mais verdade, mais caridade. E, para quem procura uma bússola prática para navegar no mar agitado da web, existe o Manifesto da Comunicação Não Hostil. Os seus dez princípios - como “Virtual é real” ou “As palavras são uma ponte” - parecem fazer eco precisamente ao ensinamento do Papa Leão. Recordam-nos que, por detrás de cada ecrã, há uma pessoa e que o ódio online tem consequências devastadoras na vida real.